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A cidade de Urubici, na Serra Catarinense, é rica em experiências com o turismo em diferentes segmentos. São pelo menos 104 meios de hospedagem que somam cerca de 2,3 mil leitos - o município tem população de 10,8 mil habitantes. Muitos desses empreendimentos seguem a linha do turismo rural e oferecem aos visitantes a oportunidade de vivenciar a simplicidade do campo.

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Os agricultores familiares que trabalham com turismo rural também mantêm as porteiras abertas para receber agricultores de outras regiões do estado interessados em aprender mais sobre a atividade. Foi o que aconteceu com um grupo do Vale do Contestado que conheceu, no dia 3 de agosto, a história de três empreendimentos já estruturados e funcionando a todo vapor.

O dia de visitas técnicas foi organizado pela Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte (SOL), no âmbito do Programa SC Rural. Participaram 35 agricultores e agricultoras de Concórdia, Seara, Itá, Alto Bela Vista, Peritiba, Piratuba e Ipira, incluindo adolescentes e jovens. Esses municípios integram um projeto piloto coordenado pela SOL que visa fomentar o turismo rural no entorno do Parque Estadual Fritz Plaumann, localizado em Concórdia.

Ivanir Brand, participou das visitas técnicas acompanhada da filha Quemili, de 14 anos. O desejo da mãe é preparar a jovem para assumir a gestão do Recanto do Balseiro, na Linha Simon, em Itá. “Estamos estruturando nossa propriedade pensando no futuro dela, que é filha única. Esta visita está sendo muito proveitosa para nós duas”, comenta.

Maria Alonso, também moradora da Linha Simon, diz que volta para casa “com a cabeça fervilhando de ideias” e pretende colocar em prática no Paraíso da Vó Maria. “Vimos muitas coisas que podemos aplicar lá e melhorar nosso negócio, como diversificar mais as opções de lazer e a oferta de produtos”, diz a agricultora, ao lado do filho Benhur.

Para o agricultor Carmo José Christ, de Peritiba, o aspecto mais interessante do intercâmbio foi verificar como funcionam os meios de hospedagem, serviço que ele pensa implementar no Pesque-Pague Camping da Alegria, na comunidade Lageado Mirim. “Nosso movimento já é bom com o restaurante e o pesque-pague, mas pode ficar ainda melhor se pudermos hospedar os turistas”, avalia.

“Em Urubici, o foco da visitação foram exatamente propriedades que já trabalham com o serviço de hospedagem, tema já abordado na capacitação teórica”, acrescenta o analista de turismo da SOL, Edgar Tramontim.

 

Sítio Arroio da Serra

A primeira parada do grupo foi no Sítio Arroio da Serra, na comunidade São Francisco, a 9km do centro de Urubici. A gestão da propriedade é feita por seis irmãos de sobrenome Israel, que herdaram as terras dos pais, falecidos em 2007. “Esse pedaço de chão está na família desde 1925, quando meu bisavô se instalou aqui, vindo de Braço do Norte. Depois passou para o meu pai, que passou para nós”, conta Dilmo Israel.

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O agricultor conta ao grupo que a lida com o turismo rural começou há sete anos, quando conheceram a Associação Acolhida na Colônia, que os encorajou a investir no projeto. “O apoio da associação nos deu confiança e mostrou que nossa cultura, a nossa origem, tem valor”, recorda.

No começo, eram apenas dois chalés construídos com recursos da família. A estrutura foi crescendo conforme a procura. Hoje são nove unidades, duas feitas com apoio do SC Rural, que viabilizou também a sinalização turística do empreendimento. “Recebemos turistas praticamente o ano inteiro, principalmente nos meses de janeiro e julho. Buscamos destacar o turismo de natureza e o pedagógico”, explica Dilmo.

Em 2015, a pousada registrou em torno de 1200 hospedagens. A diária inclui acomodação em chalés equipados com chuveiro a gás, televisão, frigobar e um pequeno fogão que funciona como lareira, refeições e atividades de lazer como trilha ecológica, pesca e passeio de trator.

A culinária é outro atrativo local. No comando do fogão à lenha, Terezinha Israel prepara iguarias com produtos locais e lembra-se do tempo em que a ideia de cozinhar para os outros a assustava. “Mas depois percebemos que o turista quer provar a comida da gente, diferente daquela que está acostumado a comer”, afirma, cheia de razão.

Seu marido, Eraldo de Souza, trabalha no cultivo de caqui, kiwi, ameixa e outras frutas numa área de 10 hectares. Da produção, parte vira geleia nas mãos de Terezinha e o restante é comercializado. Para consumo interno, ainda produzem hortaliças, mandioca, leite, ovos, frangos e porcos. A mesa é sempre farta.

 

Pousada e Produtos Coloniais Beckhauser

A conversão da propriedade para a agricultura orgânica foi uma guinada na vida do casal Evaldo e Irma, da Pousada e Produtos Coloniais Beckhauser, na Comunidade Santa Tereza, em Urubici. A localização da propriedade é estratégica para quem quer visitar os atrativos turísticos do município, como o Morro da Igreja, Cascata Véu de Noiva, Caverna Rio dos Bugres e a Serra Do Corvo Branco.

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Há oito anos, depois de engrenar na produção orgânica de frutas - morango, framboesa, amora, uva, goiaba, figo, physalis, mirtilo e goji berry, o casal decidiu apostar no turismo, adaptando as acomodações da casa para receber visitantes. Atualmente dispõem de 14 leitos na pousada e mais dois chalés com capacidade para até quatro pessoas.

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O antigo paiol agora abriga um museu: ferramentas de trabalho e utensílios domésticos despertam a curiosidade dos visitantes, já tão habituados às modernidades (a pousada oferece acesso à Internet wifi). Também investiram na construção de um ponto de vendas em frente a residência para comercializar geleias, doces, sucos e licores, tudo de origem local e orgânica.

Os Beckhauser também participam da Associação Acolhida na Colônia e são uma das nove famílias que integram o projeto estruturante de turismo viabilizado pelo Programa SC Rural, iniciado em 2012. O projeto envolve capacitação e infraestutura turística, como melhoramento de estradas e sinalização. De acordo com a técnica da Epagri, Cláudia Maria Schmitz, só na ampliação e melhoria dos meios de hospedagem em Urubici, foram investidos em torno de R$ 400 mil por meio do programa.

 

Café Colonial Lenha no Fogo

Abrir o próprio negócio possibilitou que a jovem Mariani Stange permanecesse na propriedade e junto da família. Em 2010, após concluir a faculdade de Administração, ela decidiu investir em um pequeno estabelecimento na Estrada Geral Santa Tereza, em Urubici. Há dois anos, com o crescente movimento turístico, o Café Colonial Lenha no Fogo foi ampliado e hoje conta com três funcionárias.

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Mariani e a mãe Paulina dão conta do atendimento e colocam a mão na massa para ajudar no preparo das guloseimas típicas da colônia – rosca de qualhada e de polvilho, pães, bolos, queijos, salames, entre outros pratos. Quanto aos insumos, o que não é produzido pela família, é adquirido de produtores locais, fomentando a geração de emprego e renda.

Além do café colonial, os turistas também podem se hospedar na propriedade dos Stange. São cinco chalés, dois deles viabilizados com apoio do SC Rural, que acomodam até seis pessoas cada um. “No mês de julho a taxa de ocupação esteve acima de 90%. É bem difícil ficarmos sem hóspedes”, conta Mariani.

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As primeiras experiências com hospedagem começaram há cerca de 12 anos, com uma cabana na comunidade Rio dos Bugres. “Lá não tínhamos nem luz elétrica, para tomar banho era preciso aquecer água no fogão à lenha e mesmo assim os turistas vinham. Depois que colocamos luz, teve pessoas que reclamaram”, brinca dona Paulina.

“Isso mostra como há público para todos os perfis de empreendimento”, complementa a técnica da Epagri, Cláudia Maria Schmitz.

 

 

Carla Coloniese

Ascom/SOL

(48) 3665-7436

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